Ano da paz

Ano da paz

Por: Dom José Alberto Moura Arcebispo de Montes Claros (MG) Todos quereriam a paz se realmente ela fosse dada como um presente. Muitos a querem, de fato, como uma conquista e se colocam em disponibilidade e esforço para fazê-la acontecer. Os anjos disseram aos pastores, quando Jesus nasceu na gruta de Belém: “Paz na terra aos homens de boa vontade”.

Por: Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

Todos quereriam a paz se realmente ela fosse dada como um presente. Muitos a querem, de fato, como uma conquista e se colocam em disponibilidade e esforço para fazê-la acontecer. Os anjos disseram aos pastores, quando Jesus nasceu na gruta de Belém: “Paz na terra aos homens de boa vontade”. Esta se delineia como iniciativa humana para buscar a fonte da mesma, no segredo da busca de fé em relação à criança, fonte da paz.

O Papa Bento XVI nos brinda com uma bela mensagem para este dia 1.o de ano, consagrado a Maria e ao Filho portador da paz. Lembra a comemoração dos 50 anos de início do Concílio Vaticano II, encetado pelo Bem-aventurado João XXIII. Este emitiu a encíclica, também há quase 50 anos, Pacem in Terris (Paz na Terra).

Nela vem lembrada a paz como “convivência baseada na verdade, na liberdade, no amor e na justiça”. A verdade provém do ser de Deus, que nos fala sobre a razão da vida, protegida como dom e doadora de base de sustentação do ser humano na história. O falseamento da verdade leva o ser humano a ser profundamente egoísta, endeusando-se e causando o mal ao semelhante e a toda a sociedade. As guerras são fruto disso, com conseqüências danosas para todos. A liberdade leva o ser humano a assumir sua relação de dependência realizadora com Deus, o semelhante e a natureza, de modo harmonioso. O segredo da realização humana está no equilíbrio dessa relação, com predomínio do bem de todos. O amor leva-nos a sustentar nosso ser na comunhão de vida capaz de tornar cada um oblação contínua para a prática da compreensão, solidariedade, misericórdia e todo ato de promoção da vida e da dignidade humana. A justiça leva cada pessoa a contemplar o outro como dom a ser promovido e a ter superação de suas carências para viver como imagem e semelhança de Deus.

O Santo Padre, nessa sua importante mensagem, nos lembra a paz como graça de Deus e esforço humano. Sem Deus o ser humano se coloca no caos de si mesmo, quando se absolutiza como falso deus. Como regra total do jogo da vida, o ser humano só consegue vislumbrar seus limites circunstanciados na matéria, no tempo e no espaça. Pelo dom da fé é que consegue enxergar a luz iluminadora do sentido da existência, para fazer do próprio humano um vocacionado a ser imagem e semelhança de Deus, chamado a construir a história com os dons do alto para servir a coletividade e dar consistência amorosa em suas relações. Daí surge a paz, como fruto do entrelaçamento entre o ser criado e o incriado, para produzir entendimento, concórdia, solidariedade, mútuo apoio, justiça e verdadeira concórdia.

Pedimos a Deus que este novo ano seja de bênçãos e de verdadeira paz para todos. Deste modo, poderemos encontrar melhor solução para nossos desafios e desejos de superação de nossos males e limites.

A Rainha da Paz, que nos trouxe o Príncipe da Paz, seja grande estimuladora e intercessora a nos ajudar a construir uma convivência realmente de alegria, harmonia, compreensão e paz! Como diz Deus a Moisés, também nós tenhamos essa bênção: “O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” (Números 6,27).

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