A Experiência Carismática na Igreja

A Experiência Carismática na Igreja

“Os carismas devem ser acolhidos com reconhecimento por aquele que os recebe, mas também por todos os membros da Igreja, pois são uma maravilhosa riqueza de graça para a vitalidade apostólica e para a santidade de todo o Corpo de Cristo”… (Catec. 800).
O Novo Testamento entende por carismas, do grego charis, “graça”, os dons excepcionais feitos a certos crentes para o bem da comunidade. Em 1ª Cor. 12, 8-11, São Paulo propõe uma lista de carismas: a sabedoria, o conhecimento, a fé, o dom de cura, os milagres, a profecia, o discernimento dos espíritos, o falar em línguas (glossolalia) e sua interpretação. São dons para a edificação da comunidade (gratia gratis dada) e não graças de santificação das pessoas (gratia gratum faciens).
“Muito tempo antes que o Espírito Santo se tornasse um artigo do Credo, era uma realidade vivida na experiência da Igreja primitiva”. (Edouard Schveitzer). Estas manifestações do Espírito ou Carismas são, como já dissemos, dons do Espírito que se distinguem por sua visibilidade e sua finalidade comunitária com vistas à edificação do reino de Deus. O Espírito Santo aparece como uma força que impele a Igreja para as rotas do mundo e lhe dá sua dimensão missionária, sua catolicidade.
Criou também a unidade viva do Corpo místico, santificando os cristãos e revestindo-os de seu poder. O próprio Jesus anunciou que o Espírito que enviaria se manifestaria aos seus por meio de graças e dons surpreendentes, a ponto que seus discípulos fariam coisas maiores do que Ele, incluídos os milagres.
Os carismas, que brilham na Igreja primitiva, como as flores na primavera, são essencialmente manifestações variadas e visíveis de uma realidade única: a vida transbordante do Espírito na alma dos cristãos. O Espírito Santo não se manifesta a si mesmo, ele glorifica e manifesta Jesus Cristo e nele o Pai. Todavia sente-se sua ação; é semelhante à ação do vento que não se vê, mas que se trai pelas folhas que tremem sob seu impulso.

O Espírito Santo está em ação através da multidão de carismas (Rm 12, 6; 1 Cor 12, 4 . 9 . 28 . 30s; 1Tm 4, 14; 2Tm 1,6; 1Pd 4, 10). Alguns deles são extraordinários, outros não o são. A Igreja de Cristo não é como uma simples organização administrativa; é o Corpo Místico de Cristo vivo e pessoal, animado pelo Espírito.
Sabemos que no Concílio Vaticano II, com relação aos carismas, adotou-se uma posição de acolhida e de abertura, onde a indispensável prudência não impede de reconhecer sua importância sempre atual. “A cada um se concede a manifestação do Espírito em ordem ao bem comum (1Cor 12, 7). Devem aceitar-se os carismas com ação de graças e consolação, pois todos, desde os mais extraordinários aos mais simples, são perfeitamente acomodado e úteis às necessidades da Igreja”. (Lumen Gentium, 12).
O Espírito Santo age carismaticmente na Igreja Institucional e Hierárquica, como tão profundamente o demonstra o capítulo III da Lumen Gentium. Equivocam-se aqueles que querem opor uma Igreja carismática à Igreja institucional e hierárquica. O Senhor, Autor e Cabeça de Sua Igreja, lhe deu uma organização hierárquica e a enriqueceu com a comunicação de Seu Espírito e com a abundância de Seus Carismas.
Seguindo as sábias diretrizes conciliares que expõe muito claramente a finalidade pastoral dos diversos carismas que recebem os membros do povo de Deus para sua constante edificação.

O Decreto sobre o Apostolicam Actuositatem diz: “Da aceitação, mesmo dos mais simples, nasce em favor de cada um dos fiéis o direito e o dever de exercê-los para o bem dos homens e para a edificação da Igreja, dentro da Igreja e do Mundo” (N. 3). Observemos que o benefício desses carismas são se limita à Igreja, mas deve abraçar toda a humanidade.
O decreto conciliar diz também que “Cada qual deve preparar-se ativamente para o apostolado, coisa que mais se impõe na idade adulta. Pois avançando em idade é que a mente desabrocha. Assim cada qual é capaz de descobrir com mais atenção os talentos com que Deus lhe enriqueceu a alma e ativar com mais eficiência aqueles carismas que lhe foram conferidos pelo Espírito Santo em benefício dos irmãos” (N. 30). E o decreto Ad Gentes, sobre a atividade missionária da Igreja, afirma: “Tendo recebido dons diferentes, os fiéis devem colaborar no Evangelho, cada um conforme sua oportunidade, faculdade, carisma e função” (N. 28).

Autor: Pe. Mariano Rodrigo, sjs
 Jornal “Uma Nova Unção”, Ed. 78

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