Entrevista sobre a Beatificação de JP II

Entrevista sobre a Beatificação de JP II

Por: Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo A homilia do Papa Bento XVI na missa de beatificação está publicada e foi muito bonita e há muitas imagens e comentários ao alcance da mão; mas eu desejo passar algumas impressões e reflexões pessoais sobre a beatificação do Papa João Paulo II.

Por: Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

A homilia do Papa Bento XVI na missa de beatificação está publicada e foi muito bonita e há muitas imagens e comentários ao alcance da mão; mas eu desejo passar algumas impressões e reflexões pessoais sobre a beatificação do Papa João Paulo II.

P. Quais foram as impressões mais marcantes da beatificação do Papa João Paulo II?

R. Foram várias. Primeiramente, a grande multidão presente na celebração, vinda de muitos países; as estimativas falam de mais de 1 milhão e meio de pessoas. Por outro lado, a alegria e a serenidade de todo esse povo, que fez grandes sacrifícios para enfrentar o frio e a chuva, co longas viagens, esperas, incômodos e cansaços; mas estavam todos muito felizes por estarem ali, testemunhando esse momento marcante da vida da Igreja. Também estavam presentes mais de 50 delegações de chefes de Estado e de Governo; presentes estavam cerca de 150 cardeais, um grande número de bispos e muitíssimos sacerdotes. Tudo transcorreu na maior ordem e estava muito bem organizado. A Liturgia foi muito bem celebrada; após as leituras e após a comunhão foi observado um silêncio prolongado, para a oração pessoal; parecia não haver ninguém na praça de S.Pedro! O povo manifestou sua união e apreço pelo Sucessor de Pedro.

P. Muitas beatificações acontecem pelo mundo e não todas têm a mesma relevância; por que motivos esta do Papa teve um alcance maior?

R. Por motivos óbvios, por ter sido ele o Sumo Pontífice da Igreja por um longo período e por ter marcado muito a Igreja no mundo inteiro com seu pontificado. Mas, sobretudo, por se tratar da beatificação de um Sucessor de Pedro, cuja missão é “confirmar os irmãos na fé”. A grande manifestação popular e eclesial significou também o apreço especial pelo Magistério do Papa e por sua missão na Igreja. O povo se sentiu mais uma vez confirmado na sua fé.

P. A beatificação, apenas 6 anos após a sua morte, pode ter contribuído para isso?

R. De fato, a lembrança do Papa João Paulo II ainda está muito fresca na memória do povo e isso foi uma vantagem, até mesmo para compreender que os santos são seres humanos reais, e não mitos imaginários; são pessoas que viveram neste mundo, tiveram uma história pessoal e deram sua contribuição para edificar a história da comunidade humana.

P. O papa João Paulo II escreveu muitos documentos, fez muitos discursos em suas visitas, muitas homilias. Agora, estando ele beatificado, esses textos adquirem maior relevância para a Igreja?

R. Certamente sim. Já tinham importância, por serem textos do Magistério Pontifício, que devem ser levados muito a sério pelos fiéis. Quando a Igreja beatifica ou canoniza alguém, também confirma a verdade e a importância de seus ensinamentos, ainda mais em se tratando de um Papa. Portanto, com certeza, os numerosos escritos do Papa João Paulo II ganham agora renovada importância.

P. Quais foram as principais características da santidade do Papa João Paulo II?

R. Ele foi uma pessoa de grande sensibilidade diante do sofrimento do próximo, de sua dignidade e de seus direitos; isso aparece ao longo de toda a sua vida e se expressa de maneira eminente no seu pontificado. Podemos dizer sem medo de errar que ele foi um grande benfeitor da humanidade, um defensor do “órfão e da viúva”, que ouviu o grito de angústia de tantas pessoas e povos… Viveu uma caridade intensa. Por outro lado, foi um homem de Deus e viveu uma profunda união com Deus, que lhe dava forças para sua caridade pastoral. Impressionava vê-lo rezar. Foi inegavelmente um grande Pastor da Igreja, um missionário incansável, um pai, servidor e defensor da “família de Deus”. Sua santidade manifestou-se no cumprimento consciencioso e dinâmico de sua missão de Sucessor de Pedro.

P.. Foi também o Papa da Juventude: havia muitos jovens na praça de S.Pedro?

R. Sim, João Paulo II amou muito os jovens e os encorajou a se aproximarem de Cristo e da Igreja; instituiu as Jornadas Mundiais da Juventude, que têm grande importância para a evangelização da juventude nos tempos atuais. É de grande importância que os jovens tenham encontrado nele a segurança de um pai e alguém que indica rum os confiáveis e esperançosos para a vida. Os jovens também amavam o Papa e estiveram em grande número na sua beatificação.

P. Que frutos podem ser esperados da beatificação do Papa João Paulo II?

R. A Igreja semeia na esperança… A beatificação do Papa  é um fruto da vida eclesial e, ao mesmo tempo, uma nova semeadura. Tenho a esperança de que os frutos serão muitos; o povo de Deus, com mais razão, pode olhar para o Papa beatificado como um mestre da fé, um sacerdote santo que intercede por nós e que deu o bom exemplo de santidade de vida; pode ver nele a figura do pastor bom, que se dedicou inteiramente às ovelhas. Penso que haverá um novo estímulo para a santidade de vida no meio do povo e uma renovada firmeza na fé. É muito importante que os fiéis se sintam felizes e confirmados na sua fé, ainda mais em tempos difíceis e confusos como os nossos.

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 02.05.2011

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