Reevangelização de afastados

Reevangelização de afastados

Por: Nicole Melhado Da Redação, com Rádio Vaticano Neste domingo de Páscoa, 24, a Igreja Católica recordou também os seis anos da posse do Papa Bento XVI como o 264º Papa da história. A preocupação com uma evangelização renovada buscando resgatar os fiéis afastados, mostrando ao mundo contemporâneo que a fé e a razão se complementam foi a principal característica de seu pontificado

Por: Nicole Melhado Da Redação, com Rádio Vaticano

Neste domingo de Páscoa, 24, a Igreja Católica recordou também os seis anos da posse do Papa Bento XVI como o 264º Papa da história. A preocupação com uma evangelização renovada buscando resgatar os fiéis afastados, mostrando ao mundo contemporâneo que a fé e a razão se complementam foi a principal característica de seu pontificado.

“Desde quando era cardeal, Bento XVI mais de uma vez ressaltou como na Europa e no Ocidente, em geral, se joga uma partida crucial para o Evangelho, em todo o mundo. Em vista que se o Evangelho não consegue penetrar na cultura moderna ocidental, dificilmente poderia depois penetrar nas outras culturas distintas sempre mais fechadas em si e na manutenção das próprias diferenças”, conta o vigário do Papa na Diocese de Roma, Cardeal Camillo Ruini.

Este quadro, segundo Dom Ruini, foi a razão fundamental pela qual o Santo Padre desejou um novo Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, especialmente nos países de antiga tradição cristã que agora correm o risco de perder sua identidade de fé e de cultura.

Razão e fé

Para o vaticanista Sandro Magistero, a Encíclica Caritas in Veritate é a chave para entender o magistério ratzingeriano, sendo este um magistério que não se limita a repetir e reafirmar os fundamentos da Doutrina, mas em tudo explica a razão.

“É um Papa que argumenta aquilo que diz, é um Papa que anuncia e o anúncio é realmente prioridade neste pontificado, mas é um anúncio sempre argumentado. É um Papa que explica as razões do anúncio”, elucida o vaticanista.

Eventos como o “Átrio dos Gentios”, que buscou alcançar aqueles que não professam uma religião, mostram a preocupação e o empenho de Bento XVI para acolher esse fiéis do mundo contemporâneo.

“Paradoxalmente, temos um Papa que num período no qual o pensamento difundido mundialmente é pobre de razão, e ele é um grande apologista da força da razão. Ou seja, sua abertura, sua capacidade ilimitada para chegar até onde ele não é capaz de ser compreendido realmente, justamente mostrando que a fé e a razão se complementam, em vez se confrontarem”, destaca o vaticanista.

A publicação do livro-entrevista de Peter Seewald, “Luz do Mundo”, teve grande repercussão e demonstrou também a capacidade de Bento XVI em comunicar de forma simples e direta conteúdos teológicos.

Dom Ruini recorda que já como cardeal, Joseph Ratzinger era visto como grande teólogo e também grande evangelizador, propondo uma visão da fé com uma linguagem muito clara e simples, jamais separada da realidade.

Para o vigário do Papa, a mensagem mais forte ressaltada por Bento XVI nesses seis anos é aquela de “colocar Deus no centro, colocar no centro aquele Deus que tantas correntes, tantas vertentes da cultura atual gostariam de deixar na marginalidade”.

Bento XVI e a mídia

“Humilde trabalhador da vinha do Senhor”: Foi assim que Bento XVI se descreveu ao assumir o pontificado, imagem esta que, segundo o vaticanista, foi possível ser comprovada pela opinião pública mundial.

Magistero salienta que antes da eleição, Joseph Ratzinger era visto como protetor dos dogmas, pois era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, por alguns até como um juiz perseguidor. Hoje os mitos foram dissolvidos, e no lugar se destacou a imagem do Papa que ama sua Igreja e a humanidade.

Liturgias pontifícias

O mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, monsenhor Guido Marini, destaca que as viagens e visitas apostólicas foram momentos de grande empenho de Bento XVI que trouxeram-lhe grande alegria espiritual.

Sobre o estilo celebrativo do Santo Padre, monsenhor Marini diz que este mirava sempre o “coração e a essência da liturgia, que é o mistério do Senhor celebrado, no qual todos são chamados a entrar e participar num clima de adoração e oração, e que também o momento de silêncio contribui para realizar e criar”.

“O Santo Padre é um mestre da liturgia. Ao mesmo tempo ele é um liturgista, porque nos ensina a arte da celebração”, define o mestre das celebrações litúrgicas pontifícias.

Liberdade religiosa

Uma outra forte característica do Pontificado de Bento XVI é afirmação da importância da liberdade religiosa, não só por sua relevância central, já que esta é “mãe das outras liberdades”, mas pela circunstâncias atuais que a colocam em risco.

“A liberdade religiosa corre hoje grande perigo em diversos países do mundo. O Papa não podia deixar de lançar sua voz com toda sua força e autoridade para reafirmar este ponto fundamental da convivência pacífica entre os homens e, naturalmente, para a difusão da fé cristã”, enfatiza Dom Camillo Ruini.

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